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No Bullshit Food

Para quem gosta de comer sem culpa...

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25
Abr17

O que se comia no 25 de Abril de 1974

Pedro D.

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Dia da liberdade e de colocar um cravo vermelho na lapela, o 25 de Abril de 1974 simboliza a revolução política e social de um Portugal atrasado e rural. Com tanta mudança, a restauração não podia ficar de fora e 1974 foi o ano em que Portugal se estreou no famoso Guia Michelin, com quatro restaurantes a entrarem na lista da marca de pneus: o Portucale (no Porto), o Pipas (em Cascais) e o Aviz e o Michel (em Lisboa).

 

Numa época que "comer fora" era uma miragem para a maioria e uma realidade para alguns, o nível de vida era  espartilhado por anos de ditadura e desigualdades que chegavam à mesa das famílias. Em 1974 um jornal custava 1$00, um café (bica) 1$50 e uma maço de SG Gigante 6$00. Um kilo de bacalhau, agora banal, na época custava 83$00 e era considerado um alimento de luxo.  A Coca-Cola ainda era uma miragem.

 

Já se podia comer um bife na Portugália ou marisco na cervejaria Ramiro. 1974 foi o ano em que apareceu uma novidade que se espalhou pelo país e que se mantém até os dias de hoje: o primeiro "take-away" - o frango assado, uma especialidade do restaurante Bonjardim, em Lisboa.

 

O que é que se comia à mesa dos portugueses no ano de 1974? 

No 25 de Abril de 1974 era eu um bébé chorão de fralda e biberon. Lembro-me das receitas que a senhora minha mãe guardava da Crónica Feminina e da Banquete. Para além da bíblia, nome que o meu pai dava ao "Livro de Pantagruel".

 

Em casa - num novo bairro em Benfica - comíamos o mesmo que outros, numa época que era raro jantar fora. Empadão era o prato do dia lá em casa; carapaus grelhados também; salsichas com couve lombarda e os sempre gostosos ovos com ervilhas. De vez em quando, quase por engano, lá se comia um bife com batatas fritas. Sobremesa? Fruta, muita fruta (isto de ser filho de um merceeiro tem que se lhe diga). Há um prato que o meu pai adorava e que pelo menos uma vez por mês aparecia à nossa mesa: favas com entrecosto, que curiosamente é o meu almoço de hoje. 

 

Na época, sem fast-foods e ice tea na mesa, bebia-se água, que faz muito bem e ajuda a digestão - dizia o meu pai em tom jocoso. Comia-se menos carne e mais verduras, o prato era para ficar "limpo", que a vida custava a ganhar. Ainda me lembro do meu avô dizer: "uma sardinha era para três e comia-se devagar para sentir melhor o sabor".

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